Em reviravolta, cidade que já foi mais poluída do mundo entra para a lista das mais verdes da ONU

A ONU destacou o Plano Municipal de Arborização Urbana de Cubatão (Divulgação/Divulgação)

Conhecida por um grande polo industrial, Cubatão foi considerada o “Vale da Morte” na década de 80 e sofreu com uma das maiores tragédias ambientais

Cubatão ficou conhecida como “Vale da Morte” na década de 80 após liderar o ranking de poluição da ONU e agora é símbolo de uma reviravolta ambiental.

Nesta quarta-feira (16), recebe um reconhecimento da ONU por entrar na lista seleta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) de cidades mais verdes do mundo de 2024 junto a outras 34 brasileiras contempladas.

O selo “Tree Cities Of The World” premia ações urbanas voltadas à sustentabilidade e preservação ambiental e destaca localidades globais que adotam políticas públicas de manejo sustentável de florestas urbanas. Ao todo, foram 210 reconhecidas em 24 países e quase R$ 4 bilhões investidos em práticas de gestão florestal.

Em Cubatão, município que é centro de tráfego de veículos de passeio e de carga entre São Paulo e a região da Baixada Santista, seu enorme parque industrial é o maior desafio para manter a qualidade do ar.

Na década de 80, a poluição era tão alta que o local ficou conhecido como “Vale da Morte”, em decorrência de uma série de óbitos por problemas respiratórios e nascimento de crianças sem cérebro. Não à toa, o dia já amanhecia laranja e com cheiro de enxofre.

Mas uma tragédia ambiental em 1984 mudou o rumo das políticas públicas e fez a cidade sair das mais poluídas do mundo: o incêndio da Vila Socó, que resultou em um plano de redução de 98% dos poluentes. Este concedeu à cidade o título de “Recuperação Ambiental” em 1992. 

Entre as ações destacadas na lista da ONU, estão o Plano Municipal de Arborização Urbana e as compensações ecológicas com plantio de árvores nativas. Além disso, ações transversais, como os recentes projetos habitacionais como o da Vila Esperança, Vila dos Pescadores e da Ilha Caraguatá, que focam na recuperação de áreas verdes e ajudam na preservação de manguezais e restingas. 

“O reconhecimento coloca Cubatão de volta ao cenário internacional sobre ações voltadas à promoção de um meio ambiente saudável e em consonância com os aspectos industrial, de turismo, habitacional, cultural”, disse o prefeito César Nascimento, em comunicado. 

Assim como a cidade virou símbolo de recuperação na Eco-92, agora é a vez de liderar pelo exemplo na Conferência de Mudanças Climáticas da ONU (COP30) no Brasil, disse ele.  “Coincidência ou não, vemos que a história se repete de maneira completamente positiva e muito mais ampla”, complementou.  

Exemplos pelo mundo

Zhimin Wu, diretor da Divisão Florestal da FAO, destacou que este é o maior número de homenageadas desde que o programa começou em 2018. “Elas estão liderando pelo exemplo no fornecimento de espaços verdes e infraestrutura que ajudam a definir um senso de lugar e bem-estar onde as pessoas vivem, trabalham, se divertem e aprendem”, disse em nota. 

“Quando devidamente planejados, estas ações podem mitigar o risco de desastres naturais, contribuir para estratégias de adaptação às mudanças climáticas, aumentar a coesão social e tornar as cidades mais seguras e resilientes.”

No Brasil, 34 estão na lista: Arapiraca, Belo Horizonte, Cabedelo, Campina Grande, Campo Grande, Cianorte, Cordeirópolis, Cubatão, Goiânia, Guarujá, Hortolândia, Itapipoca, Ivaiporã, João Pessoa, Juiz de Fora, Lorena, Marialva, Mogi Mirim/SP, Monte Alto, Niterói, Nova Friburgo, Paranaguá, Pinhais, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Rio Claro, Rio Grande, São Carlos, São José dos Campos, São Paulo, Taubaté, Teresina e Três Lagoas.

A maioria nos estados de São Paulo e Nordeste, especialmente em Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Além do reconhecimento, os municípios vão receber financiamento para expandir suas boas práticas e recebem acesso a uma rede global exclusiva de profissionais de silvicultura urbana, destacou a FAO. 

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Fonte: Exame

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