ONGBR denuncia operação irregular de aterro sanitário em Rio das Pedras

Segundo o Instituto, CETESB concedeu licenças ambientais sem os estudos obrigatórios, e em desconformidade com normas legais

Rio das Pedras (SP) — O Instituto de Desenvolvimento Socioambiental e Humano (OngBR) protocolou denúncia junto à CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e ao Ministério Público de São Paulo apontando uma série de irregularidades no licenciamento e operação do aterro sanitário da empresa Essencial Central de Tratamento de Resíduos Ltda, localizado no município de Rio das Pedras.

Segundo a entidade, o aterro opera atualmente com capacidade de até 1.000 toneladas de resíduos por dia, enquanto o licenciamento original previa apenas 100 t/dia. A ampliação de dez vezes na capacidade teria ocorrido sem Estudo de Impacto Ambiental (EIA), sem audiência pública e sem consulta à Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da CETESB, como exige a legislação ambiental brasileira.

Licenciamento fora das regras

A denúncia afirma que diversas licenças foram emitidas por uma agência regional da CETESB, que não possui competência para autorizar empreendimentos com essa magnitude. A própria normativa da companhia exige que aterros com capacidade superior a 300 t/dia sejam licenciados pela sede, sobretudo quando há ampliação significativa ou riscos ambientais elevados.

Área ampliada sem estudo

O Instituto aponta ainda que a área física do aterro triplicou ao longo dos anos: passou de 147 mil m² em 2011 para mais de 500 mil m² atualmente, sem os estudos ambientais correspondentes e sem reserva legal aprovada. Imagens públicas e registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) mostram sobreposição de propriedades e uso fragmentado da área, dificultando a fiscalização.

Índice da própria CETESB aponta inadequação

A denúncia destaca ainda que o Índice de Qualidade de Resíduos (IQR) da própria CETESB classifica o local como inadequado. O aterro estaria próximo a núcleos populacionais e corpos d’água, em região com lençol freático superficial e solo de alta permeabilidade, fatores que aumentam o risco de contaminação ambiental.

Pedidos e providências

A OngBR solicita, entre outras medidas, que:

  • A CETESB apure imediatamente as irregularidades e suspenda as licenças emitidas sem respaldo legal;
  • Sejam exigidos novos estudos ambientais (EIA/RIMA);
  • A área total do aterro seja regularizada com instituição de Reserva Legal e transparência nos registros públicos;
  • As condicionantes pendentes sejam rigorosamente cobradas e fiscalizadas.

Fonte: OngBr

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